Indústria Têxtil, Moda e Designer de Estampas

Antes de mais nada, já faz algum tempo que se percebe o quanto de produtos vêm da China, inclusive no universo da moda. Todavia, a verdade é que a indústria têxtil ainda é proeminente em nosso país.

Por outro lado, estampas elegantes e sofisticadas são cada vez mais raras, apesar da grande quantidade de pessoas que se interessam pela profissão de designer. E, portanto, tem potencial para vir a se dedicar à criação de estampas em tecidos.

Felizmente a tecnologia está viabilizando a impressão de estampas personalizadas em tecidos, por meio de equipamentos que oferecem maior vantagem na relação custo-benefício para produção em baixa escala, como veremos logo mais, neste artigo.

Dessa forma, aquelas pessoas mais arrojadas, amantes da moda, e que quiserem pesquisar um pouco sobre programas gráficos, podem até se arriscar na criação de estampas exclusivas.

Aliás, existem vídeos no YouTube que ensinam a técnica para criar uma estampa infinita, confira. Estampa infinita significa que foi projetada de tal forma que pode ampliada indefinidamente e ainda terá uma continuidade uniforme.

A propósito, é interessante lembrar que tecidos significam proteção, segurança e conforto. E, além da produção de roupas, os tecidos atendem à demanda de produção de tapetes, cortinas, airbags, cinto de segurança, etc.

Sobretudo, o setor têxtil compreende da produção e beneficiamento da matéria-prima (algodão, lã, seda, poliéster) ao desenvolvimento de equipamentos tecnológicos, incluindo produtos intermediários e vestuário.

A seguir, veremos alguns dados relevantes do segmento têxtil:

  • Empresas têxteis no Brasil: 25,5 mil
  • Postos de trabalho gerados: 1,5 milhão
  • Faturamento: R$185,7 bilhões

Tendências da indústria têxtil

Dentre as principais tendências da produção de tecidos está o uso de nanotecnologia, que possibilita a produção de materiais inteligentes.

Acima de tudo, a composição em si dos tecidos evoluiu para materiais tecnológicos de alta performance, tais como proteção UV 50+, antibacteriana, anti-cloro, e até microcápsulas de Aloe e Vera para hidratação da pele.

Outro assunto no qual o setor está alerta é a sustentabilidade, pois precisa minimizar seu impacto ambiental. São ações que pretendem reduzir o descarte, através da reciclagem de resíduos, além de economia de água e redução de consumo de energia elétrica.

Neste sentido, corantes a base de água e política de logística reversa de resíduos completam a implementação de um ciclo sustentável. Sem falar na produção de peças de vestuário consideradas atemporais, clássicas e coringas para o dia a dia, uma vez que peças de alta qualidade e durabilidade evitam o consumo exagerado.

A ideia, basicamente, é associar preservação de recursos naturais à maior lucratividade. Sendo assim, a impressão digital permite a diminuição de gastos com pigmentos, resultados mais rápidos e facilita a personalização dos produtos de moda. Como veremos a seguir.

Importância da Indústria Têxtil no Brasil

Primeiramente, é importante identificar a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit) como uma das principais fontes de dados do setor. Com o objetivo de melhor entender a atual situação do segmento é interessante recapitular o contexto sócio-econômico dos últimos anos.

Em 2017, empresas do segmento têxtil e vestuário concluíram o ano com crescimento de 3,5% e 5,9 bilhões de peças vendidas.

Entretanto, em 2018, fatores tais como inverno ameno, greve de caminhoneiros e Copa do Mundo prejudicaram as vendas do segmento têxtil, segundo Fernando Pimentel, presidente da Abit. 

Desse modo, o resultado foi um crescimento abaixo do esperado para o ano (2,5%), apesar de ter gerado mais de 4 mil oportunidades de emprego, só no primeiro semestre, e do crescimento de 26,66% na compra de máquinas e equipamentos.

Contudo, ainda em 2018 o Brasil estava entre os quatro maiores produtores globais de vestuário e entre os cinco maiores de têxteis. A meta era chegar a 1,5% do mercado mundial, cerca de 10bilhões de dólares.

Porém, após as eleições de 2018 ocorreu uma definição sobre os rumos da economia. Essa clareza permitiu estimar um crescimento de 3% da produção, e 3% a 4% do varejo, além da geração de 13 a 14 mil empregos formais.

Assim, o faturamento da indústria têxtil brasileira, em 2018, ficou em 51,58 bilhões de dólares, com exportações na casa de um bilhão, segunda a Abit. Além disso, o setor estava tendo êxito em segurar a alta de preços para o consumidor do varejo, apesar de matérias-primas como algodão e poliéster estarem atrelados ao dólar.

Posteriormente, em 2019 o faturamento da cadeia têxtil e de confecção foi de R$186 bilhões. Tendo experimentado uma queda para R$161 bilhões em 2020. Inversamente proporcional, o investimento no setor em 2019 foi de R$3,6 bilhões, contra os R$4,5 bilhões em 2020.

Em termos de produção têxtil, o volume ficou em 2,05 milhões de toneladas em 2019, caindo para 1,91 milhão de toneladas em 2020. Sendo que, a indústria têxtil é a segundo maior geradora de empregos, perdendo apenas para alimentos e bebidas juntos.

O impacto da pandemia de Covid-19

Nesse meio tempo, o impacto da chegada da pandemia, em 2020 significou quedas de 17% na produção e 22,5% em vendas, no setor têxtil. Já 2021 ocorreu em crescimento de 11,7% na produção e 14,5% em vendas.

Entretanto, a previsão para 2022 é de desaceleração, graças ao baixo crescimento econômico, inflação e lenta recuperação de empregos.

Apesar disso, no setor de vestuário ocorreu melhora em comparação ao pior momento da pandemia, em abril de 2020, quando o comércio de lojas físicas estava fechado e houve queda de 81% nas vendas. Em contrapartida, um ano depois, já se observa um crescimento de 121%.

Além disso, o Brasil está entre os 5 maiores produtores e consumidores de jeans do mundo, e entre os 4 maiores produtores de malhas do mundo. Somos referência mundial em design de moda praia, jeanswear, homewear, além de estarmos em crescimento nos segmentos de fitness e lingerie.

Paralelamente a toda essa produção têxtil, existem mais de 50 faculdades de moda espalhadas em 11 estados do Brasil. Destas instituições vem os profissionais que vão definir os rumos da moda nacional. O SENAC, por sua vez, também oferece curso de estamparia digital, confira.

Ou seja, o Brasil é a maior cadeia têxtil completa do Ocidente. Abrangendo desde a produção das fibras, como a plantação de algodão, por exemplo, até os desfiles de moda, passando por fiações, tecelagens, beneficiadoras, confecções e varejo.

Principais polos têxteis do Brasil

Antecipadamente, a produção de tecidos da indústria nacional está concentrada em regiões específicas: no Ceará, no Agreste Pernambucano, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e na cidade de Americana, em São Paulo.

Sendo que, o Vale do Itajaí é sede da Febratex. Região formada por cidades de colonização alemã, tem uma produção que supera a de São Paulo, apesar das crises financeiras e enchentes típicas nesta área. Os principais parceiros internacionais dessas indústrias são Estados Unidos, Japão e diversos países latino-americanos.

Já a feira Agreste Tex ocorre no Agreste Pernambucano. Tipicamente investem em qualidade, visam conquistar o selo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX). Destaque para produção de jeans.

É importante mencionar que as indústrias dessa região estão engajadas em projetos de responsabilidade social, tanto na geração de postos de trabalho para detentos serem ressocializados, quanto na geração de empregos que permitem manter as pessoas em suas regiões. Essas indústrias produzem cerca de quatro mil peças de roupas femininas por mês.

No Ceará ocorre a feira Maquintex. Esse polo inclui 20 cidades do Ceará além de 30 outros estados do nordeste. A indústria têxtil é fundamental para reduzir a miséria nesta região. Priorizam a inovação, a reciclagem de materiais, personalização de produtos, e fazem investimentos em marketing.

Americana é sede da feira Tecnotêxtil Brasil. Localizada na microrregião de Campinas, abriga mais de 600 empresas, um terço delas com foco na produção de fibras químicas. A produção anual fica em torno de R$4 bilhões.

O segmento têxtil e a indústria 4.0

Acima de tudo automatização de processos no segmento têxtil, associada à análise de dados, tem permitido a customização da produção, redução de custos e abre portas para a Inteligência Artificial e o Big Data.

À primeira vista, as principais vantagens em digitalizar a produção consistem em: maior eficiência, confiabilidade nos processos e escalabilidade.

Contudo, a integração total que alinha comprador, fornecedor, produtor, máquinas, sistemas e mecanismos de entrega, faz com que a manufatura seja bem mais eficiente, graças à coleta e análise de dados.

Vantagens da indústria 4.0 para o setor têxtil:

  • Produção sob demanda, resultando na redução de estoque;
  • Análise de dados permite a redução de desperdícios;
  • Customização de produtos via sistemas tecnológicos de produção;
  • Otimização de estrutura produtiva com linhas de produção compartilhadas graças ao auxílio de softwares.

Outros conceitos importantes na indústria 4.0

Não podemos deixar de mencionar o omnichannel, que busca convergir canais de vendas, físicos e virtuais, de modo integrado, padronizado e com qualidade. Visa tornar a jornada de compra mais interessante e customizável.

Neste sentido, softwares de modelagem proporcionam uma Visão 360 que permitem otimizar o processo produtivo do vestuário, além de avaliar o caimento da roupa e o resultado final. Isso também permite harmonizar as tendências das passarelas e as preferências do público.

Outra tecnologia que está surgindo é o Magic Mirror, ou seja, espelho mágico, que viabiliza obter dados por meio do escaneamento do corpo humano, permitindo a fabricação de peças sob medida.

Maiores empresas têxteis do Brasil

  • Riachuelo
  • Grupo Dass
  • Alpargatas
  • Vicunha Têxtil
  • Cia. Hering
  • Coteminas
  • Vulcabras Azaleia
  • Le Lis Blanc

Maiores indústrias têxteis do mundo

  • Dior, França
  • Nike, Estados Unidos
  • Inditex, Espanha
  • Cheil Industries, Coreia do Sul
  • TJL Cos., Estados Unidos
  • H&M, Suécia
  • Kering, França
  • Adidas, Alemanha

O designer de estampas

Primeiramente, é o designer de estampa, direcionado ao segmento têxtil, quem propõe as artes a serem aplicadas nos tecidos. Portanto, este profissional precisa levar em conta o material e textura no qual a estampa será aplicada.

De antemão, cabe ao designer de estampas manter-se atualizado em relação às tendências, cores e formas da moda, bem como o contexto social e artístico.

Sendo que a tecnologia digital, como já mencionado, permite ainda a personalização e exclusividade nas criações de estampas, graças ao bom custo-benefício mesmo na produção em pequena quantidade.

De qualquer modo, a técnica de aplicação da estampa precisa considerar o efeito que se deseja, a qualidade final em situações de uso dos materiais e recomendações para conservação das peças.

Atribuições do designer de estampas:

  • Definir o material a ser utilizado para aplicação das imagens
  • Dominar técnicas de transferência de imagem para o material escolhido
  • Criar as estampas
  • Definir as cores
  • Utilizar os materiais adequadamente
  • Fornecer soluções estéticas para o produto final

Técnicas de estamparia em tecidos:

  • Sublimação
  • Serigrafia
  • Digital

Metodologias que envolvem o processo de criação de uma estampa

Conhecimentos necessários:

  • Saber usar softwares de imagem e ilustração
  • Domínio de aplicação de palheta de cores
  • Conhecimento sobre os tipos de tecidos
  • Identificar tendências do mercado da moda

Como funciona a estamparia digital

A estamparia digital consiste em uma solução que emprega tecnologia de ponta, é mais econômica, sustentável e versátil para produção de tecidos estampados.

Além disso, o método de estamparia digital em tecidos resolve o problema de harmonizar a estampa desejada com o tipo de tecido mais adequado.

Conforme estudos, as primeiras estampas surgiram na Índia e na Indonésia, a.C. Também os egípcios já criavam sua estamparia por volta desta época, utilizando blocos de madeira com gravações para carimbar a tinta sobre os tecidos.

Por sua vez, os fenícios inovaram utilizando teares para mesclar fios de cores diferentes, além da técnica dos blocos de madeira. Outras técnicas já usadas a.C. são o stencil, o batique e a serigrafia.

Atualmente, a estamparia convencional utiliza telas para reproduzir no tecido a imagem desejada. Porém essa técnica só tem vantagem no custo-benefício se for uma produção em grande escala, além disso gera muitos resíduos e gasta muita água.

Por outro lado, a estamparia digital se dá por meio de equipamentos semelhantes às impressoras de papel, sendo mais sustentável, econômica e versátil, viabiliza infinitas opções personalizáveis que podem ser produzidas em pequenas quantidades sem afetar o custo-benefício.

Existem 2 técnicas de estamparia digital:

  • Impressão direta, requer que o tecido seja previamente preparado com produtos que permitem a fixação da tinta nas fibras. Gera economia e é mais sustentável, pois necessita menos água e energia, se comparado ao método tradicional.

  • Sublimação, ou seja, a estampa é transferida de um papel transfer para o tecido por meio de uma prensa térmica que faz com que a tinta evapore do papel e penetre no tecido. Essa técnica é mais adequada para fibras sintéticas.

Tipos de impressora digital para tecidos:

  • Plotter
  • Impressora com cabeçote

Etapas da estamparia digital

  1. Preparar o desenho no computador
  2. Enviar o desenho para impressora
  3. Transferir o desenho para o tecido

O resultado da técnica digital para estamparia é totalmente fiel à imagem escolhida, permitindo todas as nuances de tonalidades e intensidade de cores. Sem falar na alta resolução e durabilidade dos desenhos estampados.

Assim, as peças ficam bonitas por muito tempo e só valorizam as marcas que utilizam esta técnica. O produto final da impressão já pode passar pelo processo de lavagem, vaporização e secagem, típicos da indústria têxtil.

As empresas que comercializam as impressoras digitais para tecidos geralmente oferecem treinamento para o correto manuseio das mesmas. Outra opção, além da compra do equipamento para impressão digital em tecidos, é terceirizar esse trabalho.

Empresas que fazem impressão digital em tecido:

 

Concluindo, a indústria têxtil nacional está bem viva, bem como a tecnologia que possibilita democratizar a criação de estampas, dois fatores que enriquecem o mundo da moda. À medida que mais e mais pessoas tenham conhecimento disso teremos mais alternativas para nos expressar através do modo de vestir e mais beleza.

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