Balenciaga, o arquiteto da moda

O poder de construir o corpo

A princípio considerado por Dior o mestre dos mestres, o espanhol Cristóbal Balenciaga torna-se conhecido como o arquiteto da moda. Primordialmente aquele que tem o poder de construir o corpo das clientes, com suas criações. Assim, Balenciaga abre sua Maison de moda em Paris, em 1937.

Além disso, Chanel também reverencia Balenciaga, com suas criações ousadas. Seja como for, ele focava em uma mulher moderna, queria dialogar com a contemporaneidade de sua época.

O conceito guerreira urbana

Posteriormente, em nossa época, a marca Balenciaga lança uma das It Bags mais desejadas do mundo da moda, a Motorcicle. Também lançou a sandália gladiadora com meia pata na frente, as leggings de metal, e o conceito guerreira urbana, com muita estampa geométrica e minivestidos.

Desde 2001 a marca Balenciaga faz parte do Grupo Kering, do qual também faz parte a marca Gucci.

 

tênis “feio”, It Bag Motorcicle e sandália gradiadora

Anteriormente foi Nicolas Ghesquière o diretor criativo da marca, ficando 15 anos no cargo e sendo responsável pela transição da Balenciaga para o século 21.

Quem é Demna Gvasalia?

Em 1997 o belga Demna Gvasalia é contratado pela Balenciaga. Gvasalia tem uma tradição de estrutura e alfaiataria que combina com o DNA da marca. 

Primordialmente a referência de Gvasalia é a Vetements, sua marca própria de roupas, que cai no gosto dos Millenius e da geração Z. Dessa forma, ele torna-se o  escolhido para ocupar o cargo de diretor criativo da Balenciaga, graças ao DNA contemporâneo da sua marca.

Contudo, Gvasalia gosta de mangas longas, para aquecer as mãos, e capuz. Sendo assim, ele é adepto do estilo over size, afinal a mãe costumava comprar-lhe roupas maiores, quando criança, para que servissem por mais tempo. 

Além disso, ele mantém um olhar entre o conforto e o que se usa nas ruas. Se considera um social voyer, ou seja, gosta de observar o comportamento da sociedade.

 

Criações estruturadas, DNA da marca, Demna Gvasalia, uma das criações over size

Ao mesmo tempo, Gvasalia aprecia também a estrutura do quimono, pregas e detalhes. Contudo, ele lança a bota gladiadora, de modelagem ajustada, transformada em um tecido flexível que sobe pelas pernas e alonga a silhueta. 

Simultaneamente trabalha o conceito de moda como proteção, couraça, estruturaAssim como o fundador da marca Balenciaga, as criações de Gvalasia deixam de mostrar o corpo da mulher para exibir a criação dele.

Juntamente com esses conceitos de moda, o objetivo é ser disruptivo e divertido para ir a qualquer lugar. Portanto, se vestir para você mesmo, para causar e para redefinir os códigos de vestuário. 

Irreverente, Gvalasia lançou também o Crocks com plataforma. “No final das contas, moda é para se divertir.” afirma Demna.

Acima de tudo, ele constrói o conceito do luxo repensado, que atende a um perfil de público meio rebelde mas que não deixa de querer aparecer. Do mesmo modo, reafirma a ideia de que é melhor ter menos e ter melhor.

Curiosidade: Gvasalia deixou de morar em Paris porque não o aceitaram que ele usasse um de seus bonés em um restaurante da cidade. Sendo assim, ele mudou-se Zurich, onde se dá pouca importância a esse tipo de coisa, o que ele adora. 

Dessa forma, passou a ir a Paris uma semana por mês para trabalhar com sua equipe de modo presencial. Gvasalia já tinha esse ritmo de trabalho antes da pandemia de Covid-19, que tornou o trabalho remoto tão comum no mundo todo.

Inovador, Demna realiza um desfile de moda com um filete de água no piso e uma projeção no teto. Além disso, o tipo físico dos modelos são os mais diversos para atender à realidade do público consumidor, bem como a tendência da geração Z em valorizar a diversidade.

Em 2030 a Geração Z vai significar 40% da fatia do mercado consumidor de moda

Antes de mais nada, Gvasalia é considerado um designer underground genial, que cria para o público jovem. É o criador dos tênis “feios”. Que, segundo alguns críticos de moda, é tão inusitado que “todo mundo está querendo”. Essa é mais uma criação fruto de um olhar para o streetwear.

Como resultado Demnad Gvasalia fez da marca Balenciaga a número 2 do grupo ao qual pertence. Sendo a Gucci, com o diretor de criação Alessandro Michele, a marca número 1 do grupo.

Gvasalia sempre conta uma história com suas coleções. Ele diz que “roupas são sobre atitude”. As roupas devem ser bonitas e incríveis, sem tendências e sem estações. Ou seja, peças que podem ficar no guarda-roupa por muito tempo.

Da mesma forma, o belga, assim como outros diretores de criação, busca sintonia com o grande mercado consumidor asiático.

Em síntese, para Demnad, moda é um vetor de mudança e de comportamento que reflete a sociedade. Definitivamente pretende ao mesmo tempo representar e influenciar a postura da indústria em relação a fabricação, produção e consumo. 

Segundo Gvasalia, o consumidor atual é inteligente e sabe o que quer. Conceitos que também se refletem na questão da sustentabilidade na moda. Atendendo assim à demanda das novas gerações, seu público-alvo.

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